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Granjinha/Cando

e Vale de Anta... factos, estórias e história.

Granjinha/Cando

e Vale de Anta... factos, estórias e história.

Vale de Anta - Domingo de Ramos

28
Mar10

Mais um ano em que se cumpriu a habitual bênção pascal do ramo.

 

De seguida os fiéis seguiram em procissão para o interior da igreja onde celebrou a Eucaristia dominical.

O Padre Augusto embora com saúde debilitada presidiu à cerimónia.

 

 

E como é tradição, para quem se esquece do ramo, há sempre à entrada do adro ramos de oliveira benzida.

 

 

Desde miúdo ouvia dizer que se devia guardar o ramo benzido durante o ano para afastar as trovoadas.

Quando trovejava era costume deitar ao "lume" pequenos pedaços do ramo que através do fumo e do cheiro produzido, que saía pela chaminé, ou que se mantinha também no interior da casa afastava para longe o tão temido trovão, ou então protegia a casa se ser atingida pelos raios!

Normalmente o Ramo de Páscoa é constituído além de outras  plantas que o povo juntava para o "enfeitar",  pelo loureiro, oliveira, alecrim, malva e cangorça que servia para o apertar.

Os monárquicos de Vale de Anta...

23
Mar10

 

Curioso nome de rua em Vale de Anta!

Vestígios da monarquia, de apelido ilustre, ou de outras histórias...

O pessoal desta rua ou do lugar de Vale de Anta, poderá dar uma achega à razão de ser do seu nome...

 

 

 

Já agora, que se está a efectuar a remodelação da toponímia da freguesia, penso na minha humilde opinião que a toponímia dos lugares deveria assentar em pormenores desses lugares, factos, acontecimentos e porque não pessoas que por lá tivessem deixado a sua marca, quer pelo seu carácter ou trabalho a favor do bem comum ou até de figuras típicas do local e não a modas ou acontecimentos passeiros.

Assim se poderia manter a ligação com a história e estórias por lá acontecidos...

A história de cada lugar deverá sern um livro aberto para o futuro!

 

Para a "Lontra Mandona" recordar...

Rua do Parada



Um texto com História... II

08
Mar10

 

 

G R A N J I N H A

 

“” UMA   VEZ    MAIS “”

 

Há cerca de um ano abordei as realidades de uma povoação pequenina, aprazível e tão vizinha da cidade.

Fi-lo com a poesia de quem “ é “ pela sua terra e com o entusiasmo de quem luta por uma causa justa.

A energia eléctrica já lá chegou. Há já, também, um telefone.

Os acessos, porém, são os de há séculos.

Em tempo de invernia, como poderá lá chegar uma ambulância ou outro socorro urgente?

E, mesmo no Verão, quem garante a integridade dos veículos automóveis, para já não referir os incómodos a que estão assim sujeitos os viajantes, quer sadios quer doentes?

E quando passará, uma povoação esquecida, a receber a distribuição da correspondência?

O caminho que a atravessa não poderá beneficiar de um ligeiro arranjo com a limpeza e alinhamento das valetas e melhoramento do piso?

A fonte de mergulho, ao fundo do « Campo », não poderá ser adaptada a um higiénico fontanário?

E o lavadouro público não poderá beneficiar de uma cobertura e elevação de nível, permitindo, assim, às lavadeiras um resguardo das intempéries e menos incómoda posição de lavar?

Os caminhos para o Cando, Valdanta, Casas dos Montes e Matadouro serão assim de tão difícil e oneroso arranjo?

No “ Alto “, na saída para o Cando, ou no Campo não seria sugestivo um Miradouro sobre a colorida Veiga?

Será que no mapa do concelho não está localizada esta aldeiazinha?

O que será necessário, então, para que as autoridades administrativas reconheçam a “filiação” desta aldeia e deixe de ser “ enteada “?

No orçamento de despesas ordinárias não caberá uma parcela de alguns « patacos » para acudir a esta povoação?

Ou haverá tão grande interesse que o lugar fique em ruínas para, depois, passar a peça de museu ou monumento nacional?

Oh !  GRANJINHA !!!

-20-7- 1971

«Luís da Granjinha»

 Luís Fernandes

 de " A Minha Aldeia" Luís da Granjinha 

 

Vamos  esperar que o conteúdo deste texto e de outros já publicados passem apenas a fazer parte da história da Granginha e da publicação "A minha Aldeia" !

Um texto com História...

05
Mar10

 

GRANJINHA, “a Ilha dos Lagartos

 

 

À entrada de Chaves, quem desce o Outeiro Jusão, vê, à sua esquerda,  um monte onde sobressai uma velha cabina transformadora de luz eléctrica, sita na quinta da D. Rita.

Depois da recta já se percebe a contra – encosta desse monte, com declínio muito suave e com arborização mais verdejante e cuidada, através da qual se nota a espreitadela de algumas casas.

É a “ Ilha dos Lagartos “!

Do centro da cidade de Chaves dista uns escassos 4 kms.

Acessos  tem  muitos, mas... só para carros de bois.

O limite da cidade fica bem pertinho, aí a 1 km., o Bairro das Casas – dos - Montes.

Até aqui chegam os telefones e a luz eléctrica. Para a “ ilha “... parece estar estabelecida no Monte da Forca uma barreira à civilização.

Mas que importa isso se se trata de uma “ ilha “,  - da “ Ilha dos Lagartos “?

Importa, sim!

A “ Ilha dos Lagartos “ é habitada!

Lá existem homens, mulheres e crianças.

Essa “ ilha “ é um verdadeiro jardim.

Lindos quintais, bem cuidados, bosques viçosos, água boa como não há pelos arredores.

Outrora, os encantos e ares dessa “ ilha “ eram apreciados pelas « pessoas da  cidade ».

Ainda me recordo de ver subir « as carvalhas » o sr. Zé Valtelhas.....

Beber a água da “ pipa”, encher os pulmões com aqueles ares, saborear todo o prazer do perfume emanado da natureza e deleitar a vista pela beleza da “ Veiga “ ou dos campos de chamiça e carqueja era o que levava, outrora, a “ gente da cidade “ a visitar a “ ilha “.

Além desses motivos naturais de interesse tem a “ ilha “ ainda outros para os que se interessam pela arqueologia: a capela de S. Sebastião, em granito, com esfinges à entrada e, a desenharem o arco, animais e ramos de árvores em relevo.

A “ ilha “ é minada.

Apareceram muitos vestígios de outras civilizações, tais como artigos de cerâmica.

Os “ ilhéus “ de mais idade podem comprová-lo.

Os arqueólogos talvez tivessem nessa “ ilha “ uma fonte de riqueza de investigação e achados.

Para aqueles que desejam o silêncio, que necessitam de desintoxicar-se do ambiente das cidades, dos ruídos das fábricas e dos escritórios, tem a “ ilha “ esse maravilhoso sossego.

Passem pelo Vale Côvo, a Sobreira, o Vale Coelho, o Vale da Cabra, a «aberta da tia Aurora», a Lameira ou a Ribeira.

Mas a “ ilha “ está  esquecida !

Esquecida porque ainda não abriram uma estrada para lá.

É a falta dessa estrada que condena esse rincão a uma incógnita desmerecida.

Do Matadouro, da Ribeira ou das Casas- dos –Montes à “ ilha “ pouco mais será que 1 km..

Circundando a “ ilha “, passando pelo Matadouro e a Ribeira passa a E.N. Chaves – Braga.

Quanto não representa esse quilómetro na «vida» desse lugarejo!

Negam-lho, e a “ ilha “ vai morrendo.

E é muito triste ver acabar as coisas belas!...

Há quatro séculos abrimos rotas para as Índias e as Américas;  abrimos  as “ picadas “ nos sertões de África!

E já no limiar do século XXI não rasgamos uma estrada de 1 km. Para melhorarmos os caminhos que vão dar á nossa porta!

Ah! Bom Velho do Restelo!

Se soubesses, gostarias, por certo, de vir morrer a esta “ Ilha dos Lagartos “, a esta aldeia esquecida que foi “ Quinta dos Mouros “, gostarias de te despedir da vida neste pedacinho de céu que é a GRANJINHA!

 

 

Porto, 5 de Abril de 1970

“Luís da Granjinha”

Luís Fernandes

de " A Minha Aldeia" Luís da Granjinha 

  40 anos depois...